Em entrevista ao programa Sem Censura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que a Constituição de 1988 pode ter cometido um “erro” ao atribuir majoritariamente aos estados a responsabilidade pela segurança pública. O chefe do Executivo defendeu a aprovação da PEC da Segurança no Congresso e disse que, se o texto avançar, a União terá papel mais ativo no enfrentamento às facções.
Lula reforçou o compromisso com medidas concretas: anunciou a intenção de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, com financiamento federal aos estados, e prometeu criar, no prazo de quinze dias após a aprovação da PEC, um Ministério da Segurança Pública. O presidente também ressaltou a necessidade de maior integração entre Executivo, Legislativo e Judiciário e criticou solturas rápidas após ações policiais.
A proposta altera a arquitetura federativa do tema e tende a gerar tensão com governadores que defendem a manutenção da competência estadual. A centralização anunciada pode facilitar coordenação nacional, mas também impõe desafios de execução: custos orçamentários, gestão integrada entre esferas e risco de judicialização. A mudança precisará passar pelo crivo do Congresso, onde há resistência e diferentes prioridades.
Politicamente, a iniciativa busca responder ao clamor por segurança e reduzir a sensação de impunidade, mas traz custo político se ficar apenas no anúncio. A promessa de ministério e presídios de máxima mira mostrar reação do governo, mas só a implementação e os resultados operacionais dirão se a estratégia melhora a percepção pública ou amplia desgaste em um tema sensível.