O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros da sua base ampliaram nesta segunda a ofensiva pública pela aprovação da proposta que extingue a escala 6x1. Em postagens nas redes sociais, o Palácio e parlamentares aliados vincularam a mudança a ganhos de saúde e qualidade de vida para os trabalhadores, enquanto a conta oficial do PT repercutiu a mobilização do Planalto.

A pressão tem alvo claro: o Senado, presidido por Davi Alcolumbre (União-AP). Nos bastidores, governistas vêm cobrando a inclusão da PEC na pauta e explorando a janela antes do pleito de outubro para obter um resultado legislativo de efeito eleitoral. A movimentação ganhou forma na CCJ, onde parlamentares da base assumiram as relatorias — Omar Aziz ficou com o relatório sobre o fim da 6x1; Rogério Carvalho assumiu a PEC ligada à segurança pública.

Do outro lado, a oposição tenta dividir com alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe um novo regime baseado em horas trabalhadas em vez de dias fixos. A articulação está associada ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, o que levou integrantes do governo a acusarem a iniciativa de se contrapor aos interesses dos trabalhadores; o tom indica que a disputa não será apenas técnica, mas também política e eleitoral.

Politicamente, a urgência do governo para aprovar o texto antes das eleições acende um alerta sobre o uso de pautas sociais em calendário eleitoral. Se aprovado, o resultado daria ao Executivo um ganho simbólico e mobilizaria a base; se travado, exporia capacidade de governança e fragilizaria a narrativa de entrega de resultados. Para o Senado, o desafio é conciliar pressa política e debate técnico sem transformar a PEC em moeda de troca numa campanha já polarizada.