O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da Feira Brasil na Mesa, na unidade Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), e defendeu que o avanço nas exportações brasileiras passa pela elevação da qualidade e pela agregação de valor aos produtos do campo. Lula fez questão de destacar a capacidade tecnológica e a diversidade da produção nacional, mas advertiu que competir em mercados exigentes exige padrões superiores de qualidade.

A própria Embrapa, que celebrou 53 anos durante o evento, apresenta números que reforçam o argumento: segundo o Balanço Social 2025, cada R$ 1 aplicado pela estatal resulta em cerca de R$ 27 de retorno à sociedade. A empresa pública opera 43 unidades e afirma possuir um portfólio de cerca de 2 mil tecnologias, das quais 200 foram avaliadas quanto ao impacto econômico, ambiental e social.

Os dados da Embrapa e o diagnóstico presidencial apontam para um nó prático: nem sempre a produção em larga escala se traduz em produtos com valor agregado capazes de abrir portas em mercados sofisticados. Transformar commodity em marca, padronizar qualidade, obter certificações sanitárias e desenvolver cadeias de processamento exige investimentos em pesquisa, assistência técnica, infraestrutura logística e políticas públicas coordenadas.

Do ponto de vista político e econômico, a mensagem de Lula reforça a necessidade de manutenção e ampliação do apoio público à pesquisa agropecuária e à inovação, além de articulação com o setor privado para escalar soluções. Se a expectativa é ganhar fatias maiores do comércio internacional, o governo terá de mostrar ações concretas que elevem a competitividade além do volume — sobretudo em um mercado global que privilegia rastreabilidade e qualidade.

A Feira Brasil na Mesa segue aberta ao público até sábado (25), com entrada gratuita, e reúne tecnologias, produtos e experiências desenvolvidas a partir da pesquisa agropecuária. O balanço apresentado pela Embrapa coloca a ciência como peça central no argumento oficial, mas também lança sobre o Executivo e seus parceiros a cobrança por transformar resultados técnicos em ganhos comerciais efetivos.