Durante ato de campanha em Florianópolis, no dia 19 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende manter Jair Bolsonaro na posição em que se encontra — preso, segundo sua declaração — e contrapôs esse objetivo à intenção pública de Flávio Bolsonaro de conceder anistia ao pai caso vença a disputa eleitoral.
A fala de Lula ocorreu em um contexto marcado por decisões judiciais e por declarações explícitas de rivalidade sobre o tratamento penal de Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, e atualmente cumpre pena em regime domiciliar por motivos de saúde. Flávio já disse publicamente que a anistia seria uma das primeiras medidas no período de transição, segundo entrevistas e registros em veículos nacionais.
Em Santa Catarina, cenário eleitoral aponta vantagem do senador do PL: pesquisas de Datafolha e Quaest registram liderança isolada, com cerca de 45% das intenções de voto contra 20% de Lula, e 14% declarando preferência por outros nomes. Num quadro desses, declarações sobre prisões e anistias tornam-se peças centrais da narrativa de campanha, capazes de motivar bases e, ao mesmo tempo, alimentar temores institucionais.
Politicamente, a troca pública entre promessas de anistia e o desejo declarado de manter um ex-presidente preso eleva a temperatura da disputa e complica a narrativa governista. A confrontação tem consequência concreta: amplia polarização, fornece munição à oposição e exige que cortes e atores institucionais se posicionem diante de um debate que mistura cálculo eleitoral e decisões jurídicas.