Em transmissão pelas redes sociais neste domingo (13/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou deslocar o foco da disputa eleitoral das personalidades para projetos: "O que você precisa pensar é que o que está em jogo não é a disputa entre um, dois, três...", disse, questionando "que tipo de Brasil" os eleitores querem. A fala combinou apelo à soberania sobre recursos e à ampliação de políticas sociais como eixo central da campanha e da narrativa governista.

Lula citou explicitamente exploração de petróleo e "minerais críticos" como escolhas estratégicas que o eleitor terá de fazer: manter controle nacional sobre riquezas ou abrir espaço para empresas estrangeiras. O enquadramento busca transformar decisões econômicas e regulatórias em questão de soberania, arma política que tende a reforçar a base e complicar a ofensiva da oposição que defende atração de investimentos privados.

O que você precisa pensar é que o que está em jogo não é a disputa entre um, dois, três, quatro, cinco homens ou mulheres. O que está em jogo, na verdade, é o que você deseja para esse país.

O presidente também voltou a centrar argumentos na educação e mobilidade social, listando programas criados ou ampliados pelos governos do PT — Prouni, Fies, institutos federais e expansão de universidades — e afirmando que o objetivo é garantir mais oportunidades para filhos de trabalhadores. A narrativa pretende consolidar a ideia de que o voto corresponde a uma escolha sobre o futuro social e produtivo do país.

Na mesma live, Lula fez menções a investigações e a um esquema de fraudes contra aposentados, além de tratar do caso envolvendo o próprio filho. "Se meu filho tiver metido, ele vai pagar um preço muito alto", afirmou, e comparou situações com adversários, citando o senador Flávio Bolsonaro. O posicionamento busca equilibrar reconhecimento de eventuais irregularidades com a tentativa de preservar a imagem presidencial.

Politicamente, a estratégia acende alerta para adversários: ao nacionalizar a discussão e ligar temas técnicos a valores de soberania e justiça social, o governo tenta reposicionar a disputa no terreno das políticas públicas. Resta à oposição responder no campo das propostas — e aos eleitores avaliar se serão convencidos por argumentos de projeto ou por críticas sobre custo, gestão e transparência.

Que país nós desejamos? Um país soberano, um país que só tem um dono. O dono chama-se povo brasileiro.