O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda‑feira (11) a ex‑presidente do Chile Michelle Bachelet no Palácio do Planalto e manifestou apoio à sua candidatura ao posto de secretária‑geral da Organização das Nações Unidas. No encontro, segundo a Presidência, ambos debateram o cenário global, a necessidade de reformas na ONU e a defesa do multilateralismo — bandeiras que a candidatura de Bachelet busca articular no plano diplomático.

A disputa pela chefia da ONU ganha simbologia adicional: a entidade nunca foi comandada por uma mulher e o próximo secretário‑geral assumirá em 1º de janeiro de 2027, quando termina o mandato do atual titular, António Guterres. A candidatura de Bachelet foi apresentada em fevereiro por Chile, Brasil e México, mas sofreu um revés político no fim de março, quando o novo governo conservador chileno, liderado por José Antonio Kast, retirou o apoio oficial. Brasil e México mantêm a aposta na ex‑presidente chilena.

O recuo de Santiago revela uma dificuldade prática para consolidar candidaturas com apoio regional — especialmente num processo onde a rotatividade e o respaldo de países latino‑americanos são argumentos relevantes. Para Brasília, o gesto público de Lula tem efeito diplomático: reforça a atuação do país em fórum multilateral e tenta preservar o peso da região na sucessão do comando das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, expõe a necessidade de intensas negociações para recompor consensos que foram fragmentados pela mudança de governo no Chile.

No plano político interno e internacional, a movimentação também carrega riscos e custos. Apoiar uma candidatura que perde a chancela de um dos países proponentes complica as costuras regionais e obriga o Brasil a buscar aliados adicionais. A candidatura de Bachelet conserva atributos técnicos e experiência internacional — dois mandatos como presidente, passagens por agências da ONU e atuação em direitos humanos —, mas terá de superar a nova configuração diplomática para transformar apoio simbólico em maioria efetiva nas articulações que já começaram nos bastidores das Nações Unidas.