O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que só fará pronunciamento direto sobre o tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos após ouvir o posicionamento do presidente Donald Trump. A declaração, dada na Fundação Oswaldo Cruz durante ações da Carreta da Saúde da Mulher, representa a primeira reação oficial do Palácio do Planalto desde a oficialização das medidas norte-americanas.

Autoridades da equipe presidencial já reagiram publicamente ao pacote de tarifas: o vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes do governo criticaram os argumentos apresentados pelos EUA, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o Pix como exemplo de soberania financeira brasileira. Mesmo assim, a postura de aguardar um pronunciamento do outro lado transmite cautela e posterga uma resposta técnica e diplomática mais clara.

Quando Trump falar, eu falarei. Contra o Brasil, ninguém ganha mentindo

Politicamente, o gesto de esperar por Trump tem custos: adia a agenda de reação do governo e amplia o espaço para críticas internas e pressões do setor exportador, que precisa de previsibilidade. Do ponto de vista institucional, abre-se uma janela para iniciativas de resposta multissetorial — diplomacia, comércio e autoridades econômicas — que exigem coordenação rápida para mitigar impactos e recuperar narrativa frente à opinião pública.

Após a participação na Fiocruz, Lula seguiu agenda no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e no Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-UniRio), com retorno previsto a Brasília no início da noite. A crise criada pela sobretaxa dos EUA coloca o governo diante da necessidade de um posicionamento técnico e político mais definido nos próximos dias.