O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ao plenário do Senado para promulgar a PEC que extingue a escala de trabalho 6x1, celebrada pelo Palácio do Planalto como avanço na proteção do tempo de convívio familiar e do direito ao descanso. Na cerimônia, Lula ressaltou que parte das categorias já opera em regimes de cinco dias por semana e questionou a manutenção de um modelo que, segundo ele, limita a vida pessoal de milhões de trabalhadores.

Ao defender a mudança, o presidente colocou a medida no arco das conquistas sociais iniciadas com a Constituição de 1988, afirmando que avanços que hoje parecem óbvios já enfrentaram resistência no passado. Lula também rebateu críticas ao fim da 6x1, observando que sempre surgem vozes pessimistas quando há modificação nas relações de trabalho — um argumento usado para deslegitimar objeções sem, contudo, detalhar compensações práticas ou transição para setores mais afetados.

Do ponto de vista político, a promulgação reforça a agenda social do governo e tem potencial para ampliar a identificação do eleitorado urbano e das categorias organizadas com medidas de proteção ao emprego e à qualidade de vida. Ao mesmo tempo, a mudança abre uma nova frente de articulação: será preciso conciliar cortes de jornada com a continuidade operacional de empresas e serviços que hoje se apoiam em escalas distintas, além de mostrar como eventuais aumentos de custo serão absorvidos sem repassar a conta ao trabalhador.

Na prática, o governo terá de transformar a simbologia da medida em respostas administrativas e negociações com empresários, sindicatos e setores públicos que operam em regimes especiais. A promulgação marca um ganho político imediato, mas também impõe ao Executivo o desafio de demonstrar viabilidade econômica e evitar que a mudança se transforme em fonte de pressão sobre a gestão fiscal ou em combustível para críticas da oposição sobre planejamento e impacto no emprego.