No primeiro bloco do debate da TV Globo, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil voltou a ser um “grande cemitério de obras” e citou relatório do Tribunal de Contas da União que aponta mais de 11,5 mil obras paralisadas no atual governo. A cobrança colocou a infraestrutura no centro da disputa e abriu espaço para uma resposta direta do presidente.
Lula replicou dizendo que herdou cerca de 6 mil obras interrompidas e que, desde então, a gestão elevou o volume de investimentos em infraestrutura. O presidente lembrou do Novo PAC — R$ 1,7 trilhão previstos, dos quais quase R$ 800 bilhões já teriam sido executados — e listou obras em andamento para rebater a narrativa de abandono.
Na réplica, Flávio prometeu ampliar malha ferroviária, concluir a Transnordestina e ampliar concessões de rodovias com pedágio gratuito para motociclistas, além de ampliar internet em escolas, unidades de saúde e aldeias indígenas. Lula acusou o adversário de reproduzir promessas que, segundo ele, já fazem parte do plano do governo, e comparou a postura do senador a um aluno que decora sem entender.
A troca revela dois objetivos: a oposição usa o levantamento do TCU para acentuar desgaste e questionar capacidade de entrega; o governo, por sua vez, tenta transformar volume de investimento em prova de competência. O confronto acende alerta sobre a necessidade de entregas concretas — e explica a força-tarefa citada pelo Planalto para acelerar inaugurações antes da restrição eleitoral.