Em confronto direto na TV Band, a uma semana do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu a afirmação do senador Flávio Bolsonaro de que parte expressiva dos votos no primeiro turno veio de detentos. Lula respondeu com ironia e afirmou que quer o voto de todos — inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente condenado e em prisão domiciliar.
Flávio havia acusado o petista de ter sido beneficiado por votos de 'gente da pior espécie' dentro dos presídios, numa tentativa de criminalizar a base de apoio adversária. A réplica de Lula buscou transformar o ataque em um apelo ao voto universal, enquanto lembrava, indiretamente, a própria exposição do rival e de sua família no debate.
O episódio embute dois efeitos políticos imediatos: agrava a personalização da disputa e alimenta a lógica de campanhas negativas no trecho final da corrida eleitoral. Além disso, a discussão puxa para o centro a questão da elegibilidade e do eleitor preso — no Brasil, apenas presos provisórios e adolescentes infratores internados podem votar — e a situação processual de Bolsonaro, já condenado a 27 anos e três meses.
Do ponto de vista estratégico, a troca mostra que a campanha governista opta por rebater acusações com ironia e diluição do ataque, enquanto o núcleo bolsonarista tenta mobilizar a indignação moral do eleitorado. O confronto público, além de caloroso, tende a reforçar a polarização e reduzir espaço para propostas programáticas na reta final.