O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com dureza à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em discurso público, insistiu que o Brasil não pode ser tratado de forma condescendente por potências externas e criticou declarações de autoridades norte-americanas que, segundo ele, aventaram possibilidades de intervenção.
No mesmo tom, Lula apontou o senador Flávio Bolsonaro como responsável por pedir ingerência externa, acusando-o de trair a pátria ao buscar apoio nos EUA. O presidente cobrou ainda que Washington colabore com a entrega ao Brasil de figuras que, de acordo com ele, estão abrigadas nos Estados Unidos, citando o deputado cassado Alexandre Ramagem e o empresário Ricardo Magro.
A repercussão política foi imediata: o vice-presidente Geraldo Alckmin considerou a iniciativa dos EUA ineficaz no combate ao crime e alertou para possíveis efeitos econômicos adversos. O episódio também reacendeu críticas ao clã Bolsonaro, já fragilizado pelas conversas divulgadas que ligam Flávio ao caso do Banco Master — evidências que, segundo relatos, teriam contribuído para queda de sua intenção de voto.
Do ponto de vista institucional, a retórica presidencial coloca na agenda a necessidade de medidas concretas, como a aprovação de dispositivos de segurança no Congresso, e aumenta a tensão diplomática com Washington. Politicamente, a estratégia de Lula combina sinalização de defesa da soberania com pressão sobre adversários, em um momento que pode ampliar desgaste do campo bolsonarista e complicar negociações bilaterais relevantes para cooperação em segurança e finanças.