Em Fortaleza, a cinco dias da eleição, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva voltou a colocar peso político na disputa pelo governo do Ceará ao participar de caminhada em apoio a Elmano de Freitas (PT). O ato teve tom programático: Lula defendeu a proibição das apostas on-line (bets) e reafirmou o compromisso do governo com a aprovação de mudança institucional que elimina a escala de trabalho 6x1.

A presença do presidente em um estado considerado estratégico para o PT não é nova neste mês — foi a segunda visita de Lula ao Ceará em setembro — e evidencia mobilização de recursos nacionais para uma disputa que, segundo a pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira, está apertada. O levantamento aponta Elmano com 49% e Ciro Gomes com 47,6%, um quadro tecnicamente empatado diante da margem de erro de três pontos percentuais.

Os números acendem alerta para a campanha do PT no Nordeste: a mobilização presidencial visa tanto consolidar votos quanto sinalizar prioridade política para aliados locais. A margem estreita implica pressão adicional sobre a coordenação regional — uma derrota ou mesmo a necessidade de vitória por diferença mínima reduziriam o fôlego político do partido e elevariam custo político para a gestão local alinhada ao Palácio do Planalto.

Do ponto de vista estratégico, a escolha de temas como as bets e a escala 6x1 tem dupla função: mostram ação executiva do governo em pautas sociais e trabalhistas e tentam converter isso em tração eleitoral. Resta saber se a agenda será suficiente para deslocar indecisos e mobilizar comparecimento às urnas num cenário em que o adversário mantém votação elevada. Para o PT, o resultado no Ceará terá efeito simbólico e prático na narrativa de campanha nos próximos meses.