O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, a ex‑presidenta do Chile Michelle Bachelet e reiterou o apoio brasileiro à sua candidatura ao cargo de secretária‑geral da Organização das Nações Unidas. A eleição do novo secretário‑geral está prevista para o fim do ano e terá como missão substituir António Guterres.

Segundo o presidente, a conversa abordou diversos pontos da agenda internacional e a necessidade de uma ONU reformada, capaz de promover paz e desenvolvimento sustentável. Lula ressaltou a experiência de Bachelet como chefe de Estado e seu conhecimento da organização, argumento usado para justificar a aposta por uma mulher latino‑americana na liderança da instituição.

A candidatura chilena aparece numa disputa que envolve nomes de diferentes regiões: entre os cotados estão o argentino Rafael Grossi, atual diretor‑geral da AIEA; a costa‑riquenha Rebeca Grynspan; e o ex‑presidente senegalês Macky Sall. O quadro mostra que a sucessão de Guterres deverá ser definida por negociações amplas entre os países‑membros e por jogos de influência entre blocos regionais.

Do ponto de vista diplomático, o endosso oficial do Brasil reforça a narrativa governista em torno do multilateralismo e da busca por maior protagonismo latino‑americano em fóruns globais. Na prática, porém, a efetividade desse apoio dependerá da capacidade de construir coalizões internas na ONU — um desafio político que testará a articulação externa do governo.