O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar, em podcast com influenciadores digitais, que o governo vai trabalhar para aprovar ainda neste ano a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A PEC já tem aval da Câmara e aguarda votação no plenário do Senado — um desfecho que o Planalto busca antecipar antes da posse do próximo presidente, nas palavras do próprio petista: “Vamos aprovar o fim da escala 6x1 ainda neste ano, antes de o próximo presidente tomar posse”.
Na conversa, Lula aproveitou para ampliar o guarda-chuva de prioridades de um eventual novo mandato, criticando a atual distribuição de poder no presidencialismo brasileiro: “No Brasil, o presidencialismo foi sequestrado. (...) Não existe paradigma no mundo de o Congresso ficar com 50% do orçamento da União...” O presidente também disse pretender discutir com o Congresso a reformulação do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, que, segundo ele, levaram os partidos a uma “promiscuidade”.
Sobre o Judiciário, o presidente defendeu mudanças estruturais como a instalação de mandatos para juízes dos tribunais superiores e critérios mais rígidos para a escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal. Lula sugeriu mandatos de 10 a 12 anos e disse que a proposta precisa ser debatida com a sociedade: “Vamos discutir com a sociedade, porque eu não posso passar a ideia de que vou fazer sozinho”. A pauta tende a gerar debate intenso no Congresso, dada a sensibilidade institucional do tema.
Politicamente, o posicionamento do presidente acende alerta para o Senado, que terá de se posicionar em um momento eleitoral delicado. A cobrança pública por uma votação rápida pressiona senadores e partidos a negociações políticas que podem reordenar apoios e prioridades nas próximas semanas. A proposta do fim da escala 6x1 soma conteúdo social à agenda de campanha, mas depende de articulação que inclua negociação com bancadas e sensibilização pública para avançar no plenário.