A defesa pública de Luiz Inácio Lula da Silva para que “todos, sem exceção, sejam investigados” funciona como instrumento tático da campanha num momento em que adversários tentam costurá‑lo à imagem do ministro Alexandre de Moraes, alvo de críticas e de menções no caso Master. A estratégia presidencial evita a defesa automática de condutas atribuídas a Moraes — cuja atuação no julgamento da tentativa de golpe é citada no material-base — e ao mesmo tempo responde ao ataque político com um discurso de apoio à apuração e à transparência.
Aliados e membros da campanha de Flávio Bolsonaro passaram a tentar associar Lula às acusações que atingem Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes; a reação do presidente, porém, opta por deslocar o debate: ao cobrar que as investigações prossigam “contra quem for”, Lula nega a necessidade de proteger o ministro e mantém a narrativa de que o Estado de direito deve prevalecer. A tática dá ao PT margem para rebater sem subscrever ou necessariamente condenar condutas de juízes e seus familiares — um gesto calculado que mistura defesa institucional e combate político.
Politicamente, a postura reverbera em duas frentes. Primeiro, complica a narrativa do campo bolsonarista, que busca transformar o episódio em arma eleitoral contra o presidente. Ao pedir investigação também para Flávio e integrantes de seu entorno, Lula devolve pressão ao adversário e transforma as revelações sobre o caso Master em alavanca política. Segundo, a atitude reforça um tom combativo do Planalto, que pode reduzir capacidade de conciliação em temas sensíveis entre Executivo e Judiciário e, se mal administrada, abrir espaço para acusações de instrumentalização das apurações.
O efeito prático dependerá do avanço das investigações e da transparência das instituições. No curto prazo, a posição presidencial acende alerta para a oposição ao obrigá‑la a responder às acusações que a atingem; no médio prazo, cria custo político caso a apuração trave ou se transforme em campo de batalha prolongado. A escolha de Lula, portanto, é ao mesmo tempo defensiva e ofensiva: evita amarras públicas a Moraes, mas transforma a questão em combustível de uma disputa que pode ampliar desgaste e polarização institucional.