Em Genebra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo a delegação brasileira, associaram imprecisamente nomes dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e sugeriram interferência externa no processo eleitoral brasileiro. Lula deixou claro que considera as eleições de outubro um assunto de soberania nacional e advertiu: “não se meta nas eleições do Brasil”.
A reação do Palácio foi motivada por uma fala de Trump, na qual ele afirmou, de forma equivocada, que um “Bolsonaro Jr.” havia sido preso. Na realidade, conforme apurado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo envolvendo o ex-presidente, enquanto o senador Flávio Bolsonaro segue no exercício do mandato. A imprecisão do presidente americano e o tom ameaçador — “ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos” — geraram desconforto e risco de escalada diplomática.
Lula aproveitou a coletiva para defender o sistema de voto eletrônico brasileiro e criticar a leitura superficial que, segundo ele, Trump teria do país. O presidente ressaltou a rapidez e a estabilidade das apurações no Brasil, e ironizou a falta de familiaridade do adversário com o funcionamento das urnas, propondo até demonstrar o equipamento em uma ocasião futura. A fala busca reforçar a legitimidade do processo eleitoral diante de mensagens externas que, na avaliação do governo, podem alimentar descrédito e polarização.
Para o governo, a troca de recados acende alerta sobre os efeitos políticos de declarações presidenciais estrangeiras em ano eleitoral. Além do impacto diplomático, há risco concreto de instrumentalização do episódio na campanha de 2026: críticas externas podem ser usadas como argumento por opositores para questionar o quadro interno ou para mobilizar a base. No mesmo dia, Lula também destacou ter mantido conversa produtiva com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e afirmou a intenção de retomar articulação diplomática para buscar um desfecho ao conflito — sinal de que o governo tenta equilibrar reação política e agenda externa.