O último debate televisionado antes do segundo turno, realizado pela TV Globo na noite de sexta-feira, teve um confronto direto entre os dois candidatos. Flávio Bolsonaro atacou a administração do atual governo ao citar a elevada carga de impostos. Lula respondeu negando as acusações e contra‑atacou, citando obras em execução para evidenciar o que classifica como avanços concretos na infraestrutura do país.
No embate sobre a região Centro‑Oeste, Flávio fez questionamentos sobre logística e estradas; Lula, por sua vez, convidou o público a checar os fatos e listou projetos em curso, como a BR‑319, a Transnordestina e a ferrovia de integração conhecida como Fico. Mais que uma troca de acusações, a resposta do presidente buscou transformar um ataque fiscal em demonstração de realização administrativa.
Politicamente, a troca expõe riscos para ambos. A ênfase de Flávio na pressão tributária tenta explorar queixas reais do eleitorado sobre custos e ambiente econômico, mas corre o risco de parecer simplista se não vier acompanhada de propostas detalhadas. Do lado de Lula, a estratégia de responder com obras procura neutralizar o argumento e reforçar a narrativa de gestão; é também uma tentativa de deslocar o foco de números fiscais para resultados palpáveis.
Com o segundo turno marcado para domingo, a mensagem de ambos deve ser medida: Flávio precisa traduzir a crítica em propostas críveis para não perder espaço entre indecisos; Lula precisa convencer que as obras citadas compensam críticas sobre economia. O debate não resolveu o impasse, mas redesenhou os contornos da disputa ao colocar na mesa a tensão entre discurso tributário e demonstração de entregas.