O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nesta quarta-feira (22/4), uma reunião no Palácio do Alvorada com representantes de ao menos sete ministérios, na esteira do adiamento da análise, pela Câmara, de relatório sobre a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O recuo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ocorreu após articulação da base governista, que entendeu ser necessário um alinhamento entre pastas.
Segundo nota do Planalto, participaram do encontro ministros e auxiliares responsáveis por áreas diretamente afetadas pela proposta: José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), Míriam Belchior (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Celso Amorim (Assessoria Especial), Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento). A presença de titulares da Economia e de Minas reforça o caráter técnico-político da costura.
O chamado do Executivo para unificar um posicionamento público indica duas leituras: por um lado, trata-se de cautela institucional para evitar ruídos entre ministérios; por outro, acende alerta sobre a fragilidade da base na Câmara e a necessidade de acomodar interesses setoriais e regionais antes de retomar a votação. O episódio expõe ainda risco de desgaste político caso o Congresso rejeite pontas sensíveis da proposta.
A movimentação presidencial mostra que o governo prefere controlar o ritmo da pauta a correr o risco de derrotas ou de impasses que prejudiquem a governabilidade. Resta acompanhar se a articulação interna será suficiente para reabrir o caminho legislativo sem sacrificar compromissos fiscais e a previsibilidade para investimentos no setor mineral.