O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, para a manhã desta sexta-feira (10/6) no Palácio do Planalto, uma reunião ampla sobre a estratégia do governo para minerais críticos e estratégicos. Participam o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de áreas-chave — Casa Civil, Fazenda, Relações Exteriores, Desenvolvimento, Indústria, Minas e Energia, Planejamento, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Defesa — além do presidente do BNDES e assessores da Presidência. O setor produtivo e pesquisadores da Poli‑USP, UFABC e IFRN também foram chamados, assim como a Vale, que irá enviar executivo técnico.

O encontro ocorre no mesmo momento em que o Senado avalia o projeto aprovado pela Câmara que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta prevê um conselho presidido pela Presidência da República com poder para definir prioridades, classificar minerais estratégicos e analisar operações sensíveis — entre elas aquisição de ativos por estrangeiros e contratos de offtake. O texto abre ainda espaço regulatório para mecanismos de agregação de valor, como exigências de beneficiamento, rastreabilidade e ampliação das obrigações de informação por parte das empresas.

Do ponto de vista político e econômico, a reunião faz dois sinais simultâneos: busca demonstrar que o governo quer controlar a agenda estratégica do setor e tenta dar respostas a investidores e parceiros internacionais, num contexto em que o Brasil detém as segundas maiores reservas mundiais desses minerais, atrás apenas da China. Ao mesmo tempo, admite-se na agenda um dilema clássico: conciliar abertura a investimentos com salvaguardas sobre ativos considerados sensíveis. A concentração chinesa no processamento e refino permanece como fator de pressão externa e interna.

A relevância prática do encontro dependerá do acabamento regulatório e da tramitação no Senado. A criação de um mecanismo centralizado de decisão remete a um reforço da coordenação governamental, mas também pode elevar o grau de intervenção estatal e gerar insegurança regulatória se regras e critérios não forem claros. Para o governo, a prioridade é dar previsibilidade à cadeia industrial de alta tecnologia; para a oposição e investidores, será essencial avaliar como o novo desenho afetará competição, atratividade de projetos e compromissos de valor agregado no país.