O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que não participou nesta quinta-feira da Marcha para Jesus, em São Paulo, para evitar a impressão de aproveitamento político de manifestações religiosas. A declaração foi feita em ligação ao bispo Estevam Hernandes, segundo a assessoria, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, esteve no evento como representante do mandatário.
A opção por não comparecer é apresentada como gesto de separação entre fé e estratégia eleitoral: Lula deixou claro que evita comprometer cerimônias sagradas em períodos de campanha. Trata‑se de um cálculo público para reduzir acusações de instrumentalização da religião, ao custo, contudo, de perda de visibilidade em um evento com forte apelo entre eleitores evangélicos.
A presença de adversários políticos no ato — entre eles nomes que disputam espaço no eleitorado conservador — transforma a falta do presidente em oportunidade para rivais ocuparem simbolicamente esse terreno. A decisão, portanto, acende alerta para a comunicação da campanha: prevenir ataques de instrumentalização pode significar abrir mão de sala pública onde concorrentes ganham destaque.
No curto prazo, a estratégia evita manchetes sobre misturar crença com política; no médio prazo, impõe à equipe governista a tarefa de manter diálogo com líderes religiosos sem transparecer utilização eleitoral. É um equilíbrio delicado que, se mal calibrado, pode gerar custos políticos relevantes nas próximas etapas da disputa.