Em reação à derrota no primeiro turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou de marcha e passou a priorizar vídeos curtos com apelo direto às plataformas digitais. Nessa quarta-feira, o presidente publicou nove posts em formato selfie — dois gravados sem interlocução e os demais ao lado de influenciadores — sinalizando uma adaptação tática explícita para o segundo turno.

A estratégia incluiu um encontro em Brasília com jovens parlamentares e nomes com forte presença online. Entre eles estava a deputada federal eleita Ana Elisa, que, aos 21 anos e com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, participou da discussão sobre formatos e engajamento. Também estiveram presentes o ministro e marqueteiro Sidônio Palmeira, o secretário-geral Oswaldo Malatesta e o governador Rafael Fonteles, autor da sugestão para que o presidente experimentasse o formato selfie.

Parte do esforço é prático: os posts buscam recuperar eleitores ausentes — o presidente mencionou que 33 milhões não foram às urnas — e converter isso em comparecimento no segundo turno. A opção por vídeos curtos e linguagem direta é uma resposta à dinâmica das redes, onde conteúdos rápidos têm maior alcance e influência sobre fatias mais jovens do eleitorado.

Ao mesmo tempo, a adesão às selfies expõe uma tensão interna. Lula admitiu desconforto com a produção de conteúdo em celular, preferindo falar ‘o essencial’, e disse resistir ao formato. Essa resistência pode afetar a autenticidade percebida das postagens: quando a mudança parece imposta, o risco é que o público interprete o esforço como encenação ou resposta a pressões, em vez de um ajuste orgânico de comunicação.

Além da mudança de formato, a equipe pediu reação imediata a conteúdos negativos que circulam nas redes, numa orientação para enfrentar a desinformação. A combinação de maior presença online, uso de influenciadores e pedido de reação rápida mostra a urgência da campanha. Politicamente, o movimento reduz margens de erro no discurso e aumenta a pressão sobre a execução: se os vídeos não viralizarem, o custo será operacional e político na reta decisiva do segundo turno.