O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não bateu o martelo sobre quem vai disputar os governos de Minas Gerais e Goiás pelo PT, num relógio que corre até as convenções partidárias marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto pelo TSE. Reuniões com dirigentes nacionais e estaduais da sigla têm sido citadas como parte da interlocução, mas a demora já abre espaço para tensão interna e custos políticos num calendário apertado.

Em Minas, onde está o segundo maior colégio eleitoral do país, a estratégia do PT sofreu reveses depois da desistência do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco. O partido passou a avaliar nomes próprios — inclusive deputados federais como Reginaldo Lopes e Rogério Correia — e reviveu o nome do ex-prefeito e ex-ministro Patrus Ananias. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, já declarou preferência por disputar o Senado e criticou o tempo de espera dado a Pacheco, apontando fissuras públicas na articulação.

Nos bastidores, o PT ainda estuda alternativas de composição: citaram-se negociações com o PSB e o MDB, com possíveis costuras envolvendo Jarbas Soares Júnior e Gabriel Azevedo, caso a legenda desista de lançar candidatura própria. Em Goiás, a indefinição também persiste. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, mencionou apoio interno ao nome da deputada Adriana Accorsi, que por ora trabalha pela reeleição à Câmara, o que reduz a margem para soluções rápidas.

A proximidade do prazo eleitoral comprime a margem de manobra. A postergação da decisão expõe o PT a riscos práticos — perda de tempo de campanha, dificuldade de fechar alianças e imagem de descoordenação — e aumenta a pressão sobre Lula para resolver o impasse sem dispersar recursos ou sacrificar composições estratégicas. Em suma, a indecisão não é só um problema de calendário: configura um desafio político que pode complicar a narrativa oficial e exigir solução imediata.