As alianças costuradas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026 asseguram a ele o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão: cerca de 5 minutos e 32 segundos. O cálculo decorre da soma do tempo atribuído à federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) com o apoio formal de PSB, PDT e da federação PSol-Rede, que, juntas, reúnem 127 deputados eleitos em 2022 — o principal critério usado pelo Tribunal Superior Eleitoral para distribuir a fatia majoritária de tempo.
Pelo modelo do TSE, 90% do tempo é dividido proporcionalmente à bancada na Câmara e os 10% restantes são distribuídos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho. Esta regra exige que siglas tenham, no último pleito, ao menos 13 deputados em nove unidades da Federação ou 2,5% dos votos válidos nacionais distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% em cada. A estratégia de coligações, portanto, se traduz diretamente em capacidade de comunicação.
O benefício prático é real: Lula terá pouco mais de um minuto a mais que o principal adversário em tela, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cuja janela é de cerca de 4 minutos e 20 segundos — fruto da bancada do PL, com 98 deputados. A diferença eleva a pressão sobre a oposição para ampliar alianças e compensar um déficit de espaço público, sobretudo em segmentos de público que ainda consomem rádio e tevê em maior escala.
Ainda que relevante, o tempo de tevê não é garantia de vitória. Eleições recentes mostram que a presença nos meios tradicionais é apenas um dos vetores de campanha: Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 com oito segundos de TV e teve 2min45 em 2022, sem sucesso. No cenário atual, candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) ficam com cerca de 2min02, Augusto Cury (Avante) terá por volta de 36 segundos, e nomes como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não alcançam tempo por não cumprirem a cláusula. A vantagem formal de Lula pode, portanto, aumentar a eficácia de sua mensagem, mas não elimina a necessidade de estratégia, conteúdo e capilaridade na disputa.