O Tribunal Superior Eleitoral divulgou a tabela de representatividade que define a divisão do tempo de propaganda gratuita para as eleições: 90% são distribuídos conforme o número de deputados federais eleitos em 2022 e 10% divididos entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho. Pelo cálculo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá aproximadamente 5 minutos e 30 segundos na TV, cerca de 1 minuto a mais que Flávio Bolsonaro, que alcança próximo de 4 minutos e 20 segundos.

A diferença decorre da composição parlamentar: Lula integra a federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e recebe o apoio formal de PSB, PDT e da federação PSOL-Rede, totalizando 127 deputados — o que amplia seu tempo. O PL foi incapaz de consolidar uma aliança nacional capaz de somar bancadas relevantes; sozinho, com 98 deputados, deixa Flávio em desvantagem na distribuição de espaço gratuito.

Na prática, a tabela também hierarquiza outros presidenciáveis: Ronaldo Caiado (PSD) terá cerca de 2 minutos e 2 segundos por causa da bancada de 42 deputados; Augusto Cury (Avante) aparece com cerca de 36 segundos (7 deputados). Candidatos como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ficam sem tempo de TV, pois não cumpriram os requisitos da cláusula de desempenho com base nas eleições de 2022. O tempo oficial será confirmado após o prazo para registro de candidaturas em 15 de agosto; a propaganda começa em 28 de agosto.

A distribuição expõe consequências políticas concretas: a vantagem de Lula amplia sua capacidade de marcar agenda e reforçar a narrativa de incumbência, enquanto o isolamento do PL impõe custo político e operacional — reduzindo visibilidade nacional e pressionando a campanha de Flávio a apostar em estratégias digitais e compra de mídia. Para candidatos sem tempo, a ausência de TV dificulta o acesso ao eleitorado em massa e reforça a concentração de visibilidade entre grandes blocos partidários.