O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Alvorada a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para um balanço dos primeiros dias da nova liderança do governo no Senado. Nomeada no fim de junho, Teresa substituiu Jaques Wagner após investigações da Polícia Federal vincularem o ex-líder a fatos relacionados ao Banco Master.
No encontro, a pauta do Executivo na Casa foi detalhada: a PEC que extingue a escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública, que prevê, entre outros pontos, a criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Ambas já passaram pela Câmara, mas ainda não têm data para apreciação pelos senadores, em meio ao recesso legislativo agendado entre 18 e 31 de julho.
A articulação enfrenta atrito com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem condicionado a inclusão de matérias à agenda e sinalizado disposição de pautar projetos com impacto fiscal — as chamadas pautas-bomba. Uma PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários, com impacto estimado em R$ 30 bilhões em uma década, chegou a ser retirada de pauta após tratativas entre Teresa e Alcolumbre, que reclamou de pressões sobre sua mesa.
Para reforçar a articulação, o governo escalou o senador Camilo Santana (PT-CE) como líder do partido no Senado, com a missão de assistir Teresa Leitão e buscar um reatamento entre Lula e Alcolumbre — que não se falam desde a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. O impasse sobre cronogramas e prioridades acende alerta para o Planalto: sem uma costura rápida, propostas centrais do governo podem ficar sem tramitação antes das eleições.