Em Campinas, durante a inauguração de quatro linhas de luz do acelerador Sirius, o presidente afirmou que o Brasil não vai abrir mão de sua soberania sobre minerais críticos e terras raras presentes no território. Ao mesmo tempo, lembrou que o país está disposto a receber parceiros estrangeiros para explorar esses recursos, desde que as operações respeitem o controle brasileiro.

O discurso alinhou duas frentes da política pública: ampliar a capacidade científica e tecnológica por meio do CNPEM e usar essa base para fortalecer a posição do país na cadeia global de minerais estratégicos. As novas linhas — batizadas Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê — foram destacadas como instrumentos para acelerar pesquisas em saúde, energia, agricultura e nanotecnologia. O governo diz ter destinado R$ 800 milhões via PAC e FNDCT para a obra.

A proposta de combinar atração de investimento com reafirmação de soberania tem implicações práticas e políticas. Abrir espaço para empresas estrangeiras sem ceder controle pode ampliar ofertas de capital e tecnologia, mas também exigirá regras claras de regulação, contratos e fiscalização. No plano internacional, a sinalização busca posicionar o Brasil como parceiro estratégico, capaz de negociar em pé de igualdade com potências interessadas em recursos críticos.

Ministra e pesquisadores celebraram o salto de capacidade científica; o governo, por sua vez, colocou no centro a ideia de que conhecimento é elemento de soberania. Resta agora transformar o discurso em projetos executáveis, com modelos de negócios e garantias institucionais que atraiam investimento sem comprometer o controle sobre ativos estratégicos.