O combate ao crime organizado é o principal item da agenda do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcado para esta quinta-feira (7/5) na Casa Branca. Interlocutores do Planalto dizem ter enviado à equipe americana um documento com as principais ações previstas pelo Brasil e um pedido explícito de participação dos EUA no enfrentamento às quadrilhas transnacionais.
Ainda sem detalhes públicos sobre o teor do documento, o Palácio do Planalto afirma que uma eventual iniciativa norte-americana para classificar facções como o PCC e o CV como grupos terroristas é indesejada pelo governo brasileiro. Segundo diplomatas, essa rotulação poderia complicar a cooperação bilateral e gerar efeitos jurídicos e políticos que prejudicariam a relação com Washington.
Além da segurança, a pauta inclui geopolítica — com debate sobre o conflito entre EUA, Israel e Irã e a defesa da ampliação do Conselho de Segurança da ONU —, a exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil, e a tentativa de suspender sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros. No Congresso federal tramita projeto sobre mineração de terras raras; o Planalto também quer reverter a sobretaxa de 40% sobre aço e alumínio brasileiros imposta pelos EUA.
O encontro será um teste concreto para a capacidade do governo de transformar expectativas em resultados. A ausência de compromissos claros por parte de Washington pode virar custo político doméstico para Lula e reduzir margem de manobra em áreas sensíveis como segurança pública e comércio. Ao mesmo tempo, a pauta ampla exige que Brasília converta intenções em propostas executáveis, para evitar que o diálogo fique restrito a gestos diplomáticos sem impacto prático.