Em Évian, durante a cúpula do G7, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump protagonizaram momentos curtos de interação que chamaram atenção por simbolismo. Depois de um discurso de Lula em defesa da soberania dos países em desenvolvimento, Trump abordou o brasileiro no corredor de um hotel, o cumprimentou com um aperto de mão e disse “good job”. Lula retribuiu com um aceno de cabeça, sem prolongar a conversa.

A aproximação se repetiu depois de uma apresentação musical promovida pelo anfitrião, Emmanuel Macron, quando os dois líderes trocaram mais um cumprimento rápido. Fontes presentes registraram que qualquer diálogo foi sucinto — entre um e dois minutos — e não incluiu debates sobre as recentes ofensivas dos EUA contra o Brasil. O episódio contrasta com a ausência de contato registrado na foto oficial do dia anterior e com as conhecidas divergências em temas como protecionismo e política externa.

Do ponto de vista político, os gestos cumprem função de manutenção da civilidade em ambiente diplomático, sem, porém, configurar reaproximação programática. Para o governo brasileiro, o aperto de mão tem valor simbólico e de imagem, mas não resolve nem ameniza as disputas substantivas. Para Washington, a cordialidade pública evita escalada retórica, mantendo canais abertos sem compromisso com ajustes de política.

Na prática, o episódio alivia tensões imediatas — reduzindo possibilidade de atritos públicos na cúpula —, mas complica a narrativa governista caso se espere um alinhamento efetivo. Resta acompanhar se esses contatos informais evoluirão para negociações concretas ou continuarão como gestos pontuais de convivência limitada.