No confronto com Flávio Bolsonaro na TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva converteu o agronegócio em peça central de sua defesa: destacou investimentos públicos, incentivos para a compra de máquinas e a ampliação do apoio aos pequenos produtores. A estratégia busca neutralizar ataques sobre a gestão econômica ao mostrar ganhos concretos no setor rural.

Lula também apresentou números para sustentar o argumento: afirmou ter aberto 700 novos mercados e apontou um superávit comercial perto de US$ 80 bilhões, além de citar expansão de vendas em 57 países com crescimento médio de 10,5%, conforme dados mencionados no debate. A ênfase nas exportações serve para projetar resiliência diante de medidas protecionistas externas.

Politicamente, a menção à busca por compradores alternativos — caso haja barreiras comerciais dos EUA — tem duplo efeito: responde à aproximação de Flávio Bolsonaro com Donald Trump e tenta transformar o desempenho externo em argumento de governabilidade e competência econômica. Para o eleitorado do campo, a narrativa reforça a imagem de interlocução com produtores e agentes do comércio exterior.

Resta ao governo converter esses indicadores em percepção positiva mais ampla: números de comércio e abertura de mercados são argumentos relevantes, mas tocarão apenas parte do eleitorado afetado por inflação, renda e custo de vida. No curto prazo, porém, a tática do presidente no debate funcionou como resposta direta às críticas e como tentativa de neutralizar o discurso da oposição.