O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira a criação de uma versão do programa Pé de Meia direcionada a estudantes universitários. Em vídeo gravado em formato selfie, com jovens ao fundo, Lula disse que o repasse seria de R$700 por mês durante dez meses e que, ao final de cada ano do curso, o estudante receberia um complemento de R$2,5 mil.

Segundo o próprio candidato, o benefício anual — repetido ao longo de um curso de quatro anos — resultaria em um total de R$10 mil ao término da graduação. A proposta foi apresentada no contexto da agenda de campanha: Lula participou pela manhã de anúncio de medidas para microempreendedores no Planalto e passou o restante do dia gravando material eleitoral em Brasília. O formato se inspira no programa escolar do Pé de Meia, criado em 2024 para o ensino médio.

Do ponto de vista político, a proposta busca mirar diretamente o eleitorado jovem e reforçar a narrativa de política social como eixo da campanha. Ao mesmo tempo, levanta questões fiscais e operacionais que ainda não foram respondidas publicamente: não há detalhamento sobre o custo total do programa, fontes de financiamento, critérios de elegibilidade nem mecanismo de execução. Essa omissão acende alerta sobre a viabilidade orçamentária e abre espaço para críticas sobre promessa em véspera eleitoral.

A oferta também tem potencial de repercussão imediata nas ruas e nas redes — diversas cidades registraram atos pró-reeleição no dia — mas pode ampliar desgaste se a oposição explorar a falta de clareza técnica. Para o governo, a iniciativa reforça a prioridade dada à juventude, mas complica a narrativa oficial caso não venham respostas concretas sobre como será a implantação sem criar pressão adicional sobre as contas públicas.