O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para Washington na quarta-feira (6/5) para um encontro bilateral com o presidente americano Donald Trump, marcado para quinta (7/5). Na pauta oficial estão a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, negociações sobre terras raras, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e outros temas de cooperação e divergência.
A viagem ocorre num momento sensível para o governo: internamente, o executivo acumula reveses políticos; externamente, as relações com os EUA enfrentam desgaste após a prisão e a fuga para os Estados Unidos do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado por participação nos atos de 8 de janeiro. O encontro foi adiado no início do ano devido ao conflito no Irã; desde então, Lula elevou o tom sobre alguns pontos de discordância com Washington, sem, contudo, romper canais diplomáticos.
O desafio para Brasília é claro: transformar a conversa em ganhos concretos sem ceder em pontos que possam ser percebidos como prejuízo à soberania econômica ou à segurança pública doméstica. A negociação sobre terras raras tem potencial para repercutir diretamente no debate sobre desenvolvimento e autonomia tecnológica; a insistência americana na rotulação de facções como organizações terroristas também tem impacto político interno e repercussão imediata na gestão da segurança.
Mais do que uma agenda técnica, o encontro será um teste da capacidade do governo de administrar pressões externas e custos políticos internos. Com a eleição de 2026 no horizonte, qualquer sinal de recuo ou de vitória simbólica terá efeito sobre narrativas políticas e alianças. O desfecho em Washington poderá reduzir ou ampliar o desgaste do Planalto — mas, por ora, a expectativa é de negociações duras e de cobrança por resultados palpáveis.