O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta quinta-feira uma viagem oficial por Espanha, Alemanha e Portugal com a promessa de consolidar parcerias, atrair investimentos e reforçar temas multilaterais como defesa da democracia e combate às desigualdades. A primeira etapa, em Barcelona, antecede a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, prevista para sexta-feira, quando Lula será recebido pelo chefe do Executivo espanhol.
Além dos encontros de cunho político, a comitiva aposta na agenda empresarial para converter diplomacia em recursos: reuniões com líderes privados, participação em fóruns e a expectativa de assinatura de atos em áreas que vão de igualdade de gênero a telecomunicações. A viagem também busca apoio à candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU, sinalizando alinhamento do governo com pautas multilaterais.
A passagem pela Alemanha terá caráter mais econômico e tecnológico, com a participação de Lula na Hannover Messe — onde o Brasil é homenageado — e negociações que, segundo a diplomacia, podem resultar em até dez acordos nas áreas de defesa, clima, energia, bioeconomia e inovação. A agenda alemã marca um esforço claro de inserir o país na cadeia de produção de minerais críticos e demonstrar capacidade de atração de investimentos sofisticados.
O calendário europeu ocorre em momento sensível: a entrada provisória do acordo Mercosul-União Europeia está prevista para 1º de maio. Esse prazo amplia a pressão sobre o governo para transformar encontros e assinaturas em compromissos concretos. Para além do simbolismo diplomático, a viagem será avaliada pela capacidade de gerar efeitos econômicos palpáveis e justificar politicamente o custo de mobilizar uma comitiva extensa — 15 ministros e dirigentes de BNDES, Fiocruz e Apex-Brasil — em missão que mistura mensagem internacional e necessidade de resultados domésticos.