Em reação ao desempenho do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a adotar vídeos em formato selfie nas redes sociais: nove publicações ao longo de um dia que, somadas, ultrapassaram 23,5 milhões de visualizações. A iniciativa marca uma ruptura com a resistência anterior do chefe do Executivo a gravar conteúdos diretamente pelo celular e busca transformar visibilidade em mobilização para a reta final da disputa.

Os vídeos foram publicados no Instagram, com mensagens direcionadas tanto à base quanto a quem não compareceu às urnas no primeiro turno — público estimado em 33 milhões de eleitores, segundo a própria campanha. Lula associou a ida às ruas e a participação no segundo turno a temas centrais como educação, emprego e democracia, e usou argumentos pessoais — inclusive a própria idade, 80 anos — para estimular eleitores a votar.

A mudança na tática ocorre depois de Lula terminar a primeira etapa com 2,3 milhões de votos a menos que o adversário Flávio Bolsonaro, o que motivou orientação interna por maior presença digital. Há ganhos óbvios: alcance ampliado e linguagem direta, potencial para reativar voluntários e converter eleitores indiferentes. Mas também há custos políticos e simbólicos: a adoção tardia do formato expõe reconhecimento interno de erro de estratégia e abre espaço para críticas sobre coordenação e ritmo da campanha.

Do ponto de vista prático, o resultado imediato é mais propaganda digital do que garantia de votos. Mobilizar abstenções exige trabalho de terreno, logística e narrativa consistente — e a corrida contra o relógio vai testar a capacidade da campanha de transformar visualizações em presença nas urnas. Para o governo, o movimento vale como ajuste tático, mas também sinaliza que a campanha terá de intensificar ações e corrigir falhas identificadas após o primeiro turno.