Capelinha, cidade de cerca de 42 mil habitantes no Vale do Jequitinhonha, foi a única cidade do interior mineiro visitada por Flávio Bolsonaro no segundo turno. A presença do senador e a mobilização do chamado “Bloco” do PL, com forte atuação de aliados como Nikolas Ferreira, não impediram a virada de Luiz Inácio Lula da Silva no município.

Nos números, a mudança ficou clara: no primeiro turno Flávio somou 10.539 votos (48,20%) contra 9.706 (44,39%) de Lula — vantagem de 833 votos. No segundo turno, porém, Lula obteve 12.001 votos (51,11%) frente a 11.479 (48,89%) de Flávio. O petista cresceu 2.295 votos (23,64% a mais que no 1º turno), enquanto o senador aumentou em 940 votos (8,9%).

Líderes locais do PT atribuem a virada a mudança de estratégia após o primeiro turno: maior presença porta a porta, atuação reforçada nas redes sociais e busca direta por eleitores que não compareceram antes, sobretudo idosos. Também foi identificado que parte do eleitorado havia anulado o voto presidencial no primeiro turno por confusão com o número de cadeiras em disputa, o que foi corrigido na mobilização petista.

O resultado em Capelinha oferece um recado político: atos e carreatas de grande visibilidade nem sempre se convertem automaticamente em votos no interior. A vitória evidencia a eficiência da organização local do PT e aponta limites da estratégia do PL em transformar mobilização em ganho real de eleitores — um sinal que pode pesar na avaliação da campanha bolsonarista sobre capilaridade e tática para futuras disputas. Em Capelinha, o PT já sinaliza avanço na vida política municipal, com planos de filiações e atuação mais permanente.