O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva volta ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira (23) para um encontro com artistas e representantes do setor cultural previsto para as 19h, que deve reunir cerca de 80 nomes. A estadia se estende até a quinta-feira (24) e mistura compromissos de caráter institucional e eleitoral: além do evento cultural, a agenda prevê visita a obras da BR-116 nas proximidades de Nova Iguaçu e uma caminhada em São Gonçalo.

A operação pública no estado, palco da eleição que em 2018 elegeu o senador Flávio Bolsonaro, assume caráter estratégico a 11 dias do pleito. O Rio é o terceiro maior colégio eleitoral, segundo o TSE, e pesquisas recentes nacionalizadas para o estado indicam cenário desafiador para o petista: levantamento da Real Big Data mostrou 47% dos eleitores fluminenses favoráveis a Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra 41% para Lula. Esse resultado acende alerta e complica a narrativa oficial sobre vantagem consolidada.

A presença de aliados do campo de centro e da base no evento — como o candidato ao governo Eduardo Paes (PSD) e os postulantes ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) — traduz a tentativa de juntar bancadas eleitorais e reforçar a mobilização local. A combinação de agenda cultural, vistoria de obra e caminhada aponta para uma estratégia dupla: recuperar trânsito entre artistas e setores urbanos enquanto busca visibilidade em áreas metropolitanas onde a disputa é mais acirrada. É a segunda ida de Lula ao estado em uma semana, após anúncio de investimentos em segurança pública na última sexta-feira (18).

Do ponto de vista político, a visita funciona como medida de contenção de desgaste e tentativa de reverter sinais desfavoráveis, mas não elimina o efeito do retrato de intenção de voto: números publicados são um retrato do momento e, se persistirem, tenderão a amplificar pressão sobre a campanha e a exigir ajustes táticos. Resta ver se o apelo cultural e as ações em infraestrutura se traduzirão em reação nas urnas ou se o quadro seguirá tenso até o dia da votação.