O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mobilizar apoiadores neste domingo na Avenida Paulista e anunciou que a votação da PEC que acaba com a escala 6x1 já tem data marcada na Câmara: 14 de outubro, hoje apontada por ele como uma decisão acertada com o presidente Davi Alcolumbre. No ato, Lula cobrou a posição da oposição, dizendo que o voto definirá se os adversários defendem ou não o direito ao descanso dos trabalhadores.
Ao colocar a votação antes do segundo turno, o governo busca transformar a medida em tema eleitoral imediato, pressão que deve forçar partidos e lideranças a expor publicamente um voto sensível para a opinião pública. A tática pode ampliar desgaste entre adversários que não queiram ser vistos como contrários a direitos trabalhistas, mas também corre o risco de aumentar a polarização e as críticas por suposto uso da agenda legislativa para ganhos eleitorais.
Lula também confirmou que a PEC da Segurança Pública terá votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta semana, destacando que a proposta permitiria criar um Ministério da Segurança Pública e ampliar a atuação federal. A iniciativa deve abrir debate sobre competências entre União, estados e municípios e sobre os custos políticos e institucionais de ampliar a presença do governo federal na área.
No mesmo pronunciamento, o presidente atacou a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal de WhatsApp 'Exército do Lula', criado pelo deputado André Janones e com cerca de 3,3 milhões de inscritos. Lula chamou a medida de tendenciosa e disse que a campanha vai buscar explicações na Justiça, acusando a Corte de interferir indevidamente na mobilização digital da sua campanha.
A sequência de anúncios — marcação do 6x1, avanço da PEC de segurança e confronto com o TSE — eleva o tom institucional das próximas semanas. Para o governo, há vantagem em transformar pautas sociais em instrumentos de ativação; para a oposição e para a Justiça, as movimentações significam disputa sobre limites entre mobilização política e atuação institucional. O desfecho promete impactar a temperatura da campanha e as estratégias de ambas as partes até o segundo turno.