O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na tarde desta segunda-feira, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, no Palácio do Alvorada. O encontro ocorre às vésperas da sabatina de Jorge Messias, indicado pelo Planalto para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

O governo tem publicly declarado que busca ao menos 41 votos favoráveis a Messias na votação do Senado, marcada para esta quarta-feira. Interlocutores do indicado afirmam que ele tentará, antes da votação, um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com Weverton Rocha atuando como ponte entre as partes.

Pelo regimento, o caminho de Messias passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, pelo Plenário, onde a maioria absoluta — 41 dos 81 senadores — decide a indicação. A necessidade de costura política evidencia a dependência do Palácio em acordos e articulações para fechar a margem mínima de aprovação.

A proximidade entre o Executivo e líderes do Senado na véspera da sabatina também traduz pressão política: uma eventual derrota ou votação apertada seria interpretada como desgaste da capacidade do governo de reunir sua base e poderia ter reflexo na agenda legislativa e na percepção de força política do Planalto.

Após falar com Wagner, Lula recebeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — encontro que ocorre dias depois do presidente elogiar a medida de reciprocidade adotada pela PF em relação a um oficial dos Estados Unidos. O episódio reforça o caráter simultaneamente institucional e político das articulações do governo.