O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá receber, nos próximos dias, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para uma conversa decisiva sobre a manutenção do parlamentar na função. O encontro foi acionado após os desdobramentos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho, que ampliaram a pressão política sobre o Palácio do Planalto.

Wagner estava na Bahia quando a operação ocorreu. A intenção inicial era que Lula o recebesse ainda na sexta-feira (19), mas novos elementos e a dinâmica do caso adiaram o encontro. Segundo interlocutores, o presidente pediu que o senador retornasse a Brasília para alinhar os próximos passos e construir uma resposta institucional ao episódio.

Nos bastidores, integrantes da base afirmam que o caso pode mexer no horizonte eleitoral e gerar desgaste para a campanha do presidente. Ao mesmo tempo, há argumentos em defesa da permanência de Wagner: retiradas da liderança poderiam enfraquecer o PT na Bahia, onde o senador figura entre os favoritos numa disputa que o partido pretende manter competitiva ao lado do ex-ministro Rui Costa.

A relação de proximidade entre Lula e Wagner é outro fator que pesa na decisão. O senador, que ocupou ministérios nos governos petistas, disse em entrevista à BandNews que não pretende pedir afastamento e lembrou que a definição da liderança cabe ao presidente. Em evento em Belo Horizonte, Lula reagiu com um gesto positivo quando questionado, sem comentar publicamente o destino do aliado.

A reunião será, na prática, um teste político para o governo: precisa conciliar a necessidade de responder às investigações com o custo político de afastar um articulador influente. O episódio expõe uma tensão entre laços pessoais e cálculo eleitoral e acende um sinal de alerta para o Planalto sobre a gestão de crises que podem afetar a base e o desempenho do PT nas urnas.