Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, apresentou na Justiça de São Paulo, em 18 de agosto, duas ações contra vídeos publicados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo ex-governador Romeu Zema (Novo). A petição contra Flávio tem como alvo o conteúdo intitulado “MISSÃO: LOCALIZAR LULINHA”, publicado em 7 de julho, que recorre a recursos de inteligência artificial para representar o senador pilotando um caça e colocar a foto do empresário como “alvo”. No áudio, o vídeo afirma que Lulinha seria “suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil”, e termina com uma cena digital do empresário jogando e rindo.
Na ação contra Zema, os advogados contestam os vídeos “Os Intocáveis” e “A casa caiu”, ambos publicados nas redes do ex-governador. Segundo as petições, as publicações utilizam animações, montagens e ferramentas digitais para inserir a imagem de Lulinha em narrativas que o associam, sem base factual, a investigações e práticas criminosas. As defesas ressaltam que o empresário não foi indiciado, denunciado ou ouvido em apuração sobre fraudes ao INSS, e que a menção à Petição nº 14.487, em tramitação no STF e vinculada à Operação Sem Desconto, não atribui participação a ele.
Os processos pedem a remoção imediata dos vídeos das plataformas, com aplicação de multa diária em caso de descumprimento; o X e o Facebook (Meta) foram incluídos para cumprimento de eventual ordem judicial. No pedido contra Flávio Bolsonaro, Lulinha solicita ainda indenização de R$ 10 mil por danos morais. A tese central é que os recursos digitais criam cenas, falas e representações que jamais ocorreram, produzindo uma associação artificial entre o empresário e atos ilegais.
Politicamente, a disputa acende alerta sobre o uso de deepfakes e montagens por atores públicos: além do risco reputacional para Lulinha, a circulação de conteúdos que vinculam pessoas a crimes sem base probatória expõe contradições na prática política e complica a narrativa dos autores. Caso a Justiça determine remoções ou condenações, haverá custo simbólico e eleitoral para os responsáveis e um sinal claro sobre a responsabilidade das plataformas e dos políticos no combate à desinformação.