O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou neste domingo, na convenção estadual da sigla na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que o apoio formal do partido à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 não deverá interferir na candidatura de Alexandre Kalil ao governo estadual. Lupi sustentou que a aliança presidencial tem lógica nacional distinta da teia de acordos locais, onde o PDT seguirá negociando com outras legendas conforme o contexto político mineiro.
A declaração marca uma tentativa de conciliar duas demandas opostas: a obviedade do compromisso nacional com o PT e a necessidade de preservar o projeto local do ex-prefeito de Belo Horizonte. Segundo Lupi, o PDT manterá Kalil como candidato e não cogitou retirar o nome para compor coligações com outras siglas — uma reafirmação pública do compromisso assumido na filiação do ex-prefeito.
Apesar da candidatura formalizada, o partido deixou em aberto a definição do vice e do candidato ao Senado. Lupi informou que a convenção delegará poderes à executiva estadual para concluir as negociações até o prazo legal de registro de chapas, e citou conversas com PSDB, Solidariedade, União Brasil e PP como parte da estratégia para ampliar a coligação em Minas.
O fato de o PT ter optado por lançar o deputado federal Patrus Ananias no estado expõe a falta de coordenação entre palanques e eleva o desafio político para Kalil: compor uma aliança capaz de disputar o centro e neutralizar a força do governador Romeu Zema, reeleito em 2022 com amplo apoio. A separação entre projeto nacional e arranjos locais pode reduzir atritos imediatos, mas também gera incerteza sobre coesão eleitoral e capacidade de transferência de votos entre esferas.
Na prática, a postura defendida por Lupi busca evitar desgaste interno e preservar o espaço de negociação do PDT em Minas. Resta saber se a estratégia de manter posições distintas — apoio a Lula nacionalmente e busca por parcerias diversas no estado — será suficiente para reforçar a competitividade de Kalil sem aprofundar divergências com o PT. Os próximos dias, quando vice e senador forem definidos, serão o termômetro dessa costura política.