Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, ocupou a primeira fila entre os convidados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate da TV Globo realizado na noite de sexta-feira (23/10). O vice-presidente Geraldo Alckmin também acompanhou o encontro. A presença de Cristiane, cujo caso ganhou destaque nacional, foi visível e marcou o tom do embate a dois dias do segundo turno.
O caso de Ana Clara, atingida por um disparo em 2 de fevereiro de 2021 em Niterói e posteriormente falecida, tornou-se um dos pontos de confronto entre as campanhas. Flávio Bolsonaro já atuou como advogado do policial militar acusado pelo crime, fato que Lula trouxe ao debate anterior na Band e que segue sendo explorado pela campanha petista. No Congresso, políticos do PT têm alinhado propostas, como a chamada "Lei Ana Clara", para limitar a atuação de parlamentares como advogados em casos de crimes contra a vida.
Do ponto de vista político, a presença da mãe da menina entre os convidados de Lula interessa por dois motivos: primeiro, humaniza e evidencia o tema que tem servido à narrativa de responsabilização; segundo, dificulta a estratégia do candidato do PL de deslocar o foco para outros temas no curto prazo. Em termos editoriais e eleitorais, esse movimento acende alerta para a oposição e amplia desgaste sobre episódios que misturam direito, ética e política — sem, contudo, transformar o debate em veredito judicial.
Na bancada de convidados de Flávio Bolsonaro havia nomes como Douglas Ruas, Rogério Marinho e Sergio Moro na primeira fila; Carlos Bolsonaro estava na segunda; e Ricardo Nunes e Guilherme Derrite na terceira, segundo a organização do evento. A composição das plateias e a escolha de convidados mostram o esforço de ambos os lados em controlar a narrativa nas vésperas da decisão eleitoral. Resta ver se a exposição do caso produzirá efeito mensurável nas intenções de voto ou se será mais um episódio de desgaste simbólico na reta final.