Uma pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg divulgada nesta quarta-feira revela que 75% dos entrevistados são favoráveis à proibição das plataformas de apostas online no país. O levantamento, aplicado entre 17 e 22 de setembro com 5.015 pessoas, tem margem de erro de um ponto percentual e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04739/2026.

O suporte à medida subiu dois pontos percentuais em relação a abril, quando 73% manifestaram apoio. No mesmo período, a parcela contrária caiu de 21% para 17%, enquanto o grupo que não se posiciona passou de 6% para 8%. A mudança indica uma tendência de fortalecimento do sentimento público contrário ao setor, ainda que a pesquisa deva ser lida como um retrato do momento, não como previsão de desfecho legislativo.

Politicamente, o resultado acende alerta: o tema já ganhou espaço nos programas e nas manifestações públicas de pré-candidatos à Presidência de 2026 e tende a ampliar pressão por iniciativas regulatórias ou por propostas de veto a operadores de jogos. Para governistas e opositores, a pesquisa complica narrativas que defendam a manutenção do mercado sem mudanças expressivas — a aposta em continuidade pode cobrar preço político em ano eleitoral.

Do ponto de vista institucional e econômico, o levantamento coloca em xeque a estabilidade do setor e aponta para um ambiente de maior risco regulatório. A adesão majoritária à proibição reforça o potencial de mobilização social e política contra a indústria, o que pode acelerar debates no Congresso e no Judiciário sobre limites, publicidade e responsabilidade das plataformas. O resultado, portanto, é um sinal claro: o tema deixou de ser periférico e virou questão com custo político real.