Após o impedimento da votação do parecer oficial na CPMI que investigou fraudes no INSS, a chamada bancada da Maioria levou às autoridades de controle e investigação um relatório paralelo com mais de 4 mil páginas. O documento, assinado por cerca de 20 membros do colegiado, pede o indiciamento de 130 pessoas e solicita apurações complementares para outras 71, entre elas o ex‑presidente Jair Bolsonaro e o ex‑ministro Onyx Lorenzoni.
A entrega foi formalizada à Polícia Federal, à Controladoria‑Geral da União e à Procuradoria‑Geral da República na tentativa de evitar que o tema esfrie após a derrota do relatório do relator Alfredo Gaspar na comissão. Parlamentares da comitiva afirmaram que o objetivo é transformar as informações reunidas em subsídio concreto para investigações já em curso, transferindo do âmbito político para o investigativo as suspeitas levantadas durante seis meses de trabalho.
Há documentação ampla que, segundo parlamentares, justifica investigação aprofundada preservando o amplo direito de defesa.
O relatório paralelo atribui ao governo anterior mudanças regulatórias que teriam facilitado o acesso de associações e de instituições financeiras — com menção ao Banco Master — aos recursos do INSS. Segundo os autores, a investigação identificou nove núcleos de atuação que, em tese, teriam operado de maneira coordenada, permitindo descontos ilegais de benefícios e o desvio de valores destinados a aposentados.
Além do esquema de descontos, o documento aponta indícios de que parte dos recursos desviados pode ter sido empregada no financiamento eleitoral por meios que caracterizariam tentativa de ocultação de origem. A bancada da Maioria também pediu à PF que aprofunde checagens sobre doações feitas por um empresário ligado ao Banco Master, cujos repasses às campanhas de 2022 já constam em dados da Justiça Eleitoral.
A manobra de levar o relatório às autoridades expõe uma divisão interna na CPMI: enquanto governistas barraram a votação do parecer oficial, dois terços dos membros subscreveram o paralelo. Editorialmente, o movimento amplia o desgaste político para figuras associadas ao caso e pressiona órgãos de investigação a decidir se há elementos suficientes para transformar suspeitas em procedimentos formais.
O relatório descreve a existência de núcleos articulados que, de acordo com os signatários, teriam favorecido descontos ilegais e possível desvio de recursos.
O desfecho dependerá agora das decisões da PF, da CGU e da PGR sobre diligências e eventuais indiciamentos. Para a oposição, o protocolo serve como mecanismo de preservação probatória e de manutenção da pauta; para o campo governista, tende a reforçar narrativa de contestação do processo político na CPMI. Em termos práticos, o relatório mantém o tema vivo no tabuleiro político e pode ter impacto em litígios judiciais e em futuras agendas eleitorais.