Uma pesquisa Datafolha divulgada em junho mostra que a maioria dos brasileiros não consegue lembrar seu voto para o Congresso nas eleições de 2022. Segundo o levantamento, cerca de 67% dos eleitores não recordam em quem votaram para deputado federal, e 66% dizem o mesmo sobre o voto para senador e para as assembleias estaduais. Na prática, dois em cada três cidadãos afirmam não se lembrar de suas escolhas para cargos legislativos em 2022.

O levantamento destaca ainda a dificuldade em nomear parlamentares em exercício: 68% não conseguem citar nenhum deputado federal e 75% não mencionam senador algum. A lembrança do voto majoritário contrasta com a legislativa — 85% dizem lembrar o voto para presidente em 2022, enquanto a memória para governadores fica em 54%. Há também diferenças por recorte: mulheres e eleitores identificados com o PT registram índices mais elevados de não lembrança; homens e simpatizantes do PL mostram maior taxa de recordação, embora ainda significativa parcela não se recorde.

O quadro acende um alerta para a responsabilização política e a qualidade da representação. Quando eleitores não conseguem associar votos a nomes, reduzem-se os mecanismos informais de prestação de contas que funcionam pela visibilidade eleitoral — seja via reeleição, cobrança pública ou repercussão na imprensa. A lista de parlamentares lembrados é exígua: apenas seis deputados federais tiveram menções relevantes, com Nikolas Ferreira (PL-MG) e Érika Hilton (PSOL-SP) entre os mais citados; no Senado, 15 nomes apareceram, com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liderando. O predomínio de poucos nomes públicos reforça vantagem de figuras de alto perfil na disputa por atenção.

Para partidos e para o próprio Congresso, o resultado complica a narrativa sobre conexão com a sociedade e amplia o desafio de recuperar autoridade institucional. Em termos eleitorais, o fenômeno pode cobrar preço político: baixa lembrança reduz pressão por desempenho e facilita a personalização de campanhas em 2026. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais nos dias 17 e 18 de junho; as perguntas sobre o voto foram aplicadas a 1.898 eleitores com 20 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais; registro no TSE: BR-09956/2026.