Uma pesquisa Quaest divulgada neste domingo (17/5) mostra que 52% dos brasileiros são contrários à redução das penas aplicadas aos envolvidos nos atos do 8 de janeiro, contra 39% a favor. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu pouco mais de 2 mil pessoas entre 8 e 11 de maio e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O estudo também revela forte polarização por espectro político: eleitores de esquerda não lulistas rejeitam a proposta em 77%, enquanto 73% dos eleitores de direita bolsonarista aprovam a redução. Entre independentes, a rejeição chega a 58%, sinalizando que a vitória política da proposta não é uniforme fora das bases ideológicas mais alinhadas.

A pesquisa perguntou ainda se a chamada PL da Dosimetria teria sido aprovada para reduzir especificamente a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro ou de todos os envolvidos — questão que alimenta o debate sobre intenção política por trás da norma. Os números exibem não apenas uma divisão simbólica, mas também um custo político concreto para parlamentares que defendam alterações percebidas como benéficas a condenados influentes.

Do ponto de vista prático, o resultado acende alerta para o Congresso: a aprovação de mudanças que pareçam favorecer um grupo restrito pode ampliar desgaste e complicar articulações legislativas. Trata-se, como todo levantamento, de um retrato do momento — não de uma previsão definitiva — e que pode influenciar a estratégia de governo, oposição e bancadas no debate sobre a dosimetria das penas.