A conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Santiago Peña não evitou uma reação formal de Assunção: o embaixador do Brasil em Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, foi convocado para receber uma nota de protesto. A confirmação da conversa e do protocolo partiu do chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano.

Lezcano disse que, do ponto de vista do contato presidencial, o episódio estaria encerrado, mas que o protesto diplomático será mantido. A convocação do embaixador — entregue em reunião com o vice-presidente Pedro Alliana — é o instrumento formal escolhido para expressar o descontentamento do governo paraguaio.

O constrangimento decorre de declaração de Lula, em 24 de julho, em Jacareí (SP), ao tratar da integração regional e da Guerra da Tríplice Aliança. O comentário — que associou episódios de invasão ao início do conflito — reativou uma ferida sensível no Paraguai, onde a memória da guerra (Guerra Guasu) é tratada com forte carga histórica e interpretações divergentes.

Além do impacto imediato nas relações bilaterais, o episódio expõe um problema maior: a margem de erro da retórica presidencial em temas históricos sensíveis e o custo diplomático de comentários públicos. Somado às recentes trocas ásperas com a Argentina, o episódio acende alerta sobre desgaste regional e põe o Palácio do Planalto diante da necessidade de calibrar comunicação externa. Até o momento, Assunção não anunciou novas medidas além da nota.