O presidente nacional do Cidadania, deputado Alex Manente (SP), anunciou nesta semana uma ofensiva judicial e disciplinar para investigar a condução da legenda entre 2023 e 2025. Segundo a atual direção, o período teria sido marcado por decisões tomadas à margem do estatuto, indícios de irregularidades financeiras e práticas que comprometeram o funcionamento interno do partido.

Entre as medidas anunciadas estão representação criminal ao Ministério Público Federal, a instauração imediata de procedimentos no conselho de ética e ações cíveis visando reparação por danos e ressarcimento de supostos prejuízos. A direção cita ainda episódios de judicialização excessiva e alegado uso indevido de recursos, com menção à Fundação Astrogildo Pereira como foco das apurações.

Não vou aceitar que o partido seja dominado por procedimentos sem respaldo jurídico.

A disputa sobre o comando da sigla ganhou contornos institucionais. Documentos cartoriais relativos a atos de 2023, que teriam formalizado a substituição de Roberto Freire por Comte Bittencourt, apresentam inconsistências apontadas pela atual gestão: versões divergentes de atas, ausência de assinaturas e lacunas na comprovação de desligamentos de dirigentes. Esses problemas travaram o reconhecimento formal de decisões internas e abriram espaço para rivalidades.

A direção comandada por Manente, eleito em 2026, afirma apoiar suas ações em 14 decisões judiciais favoráveis obtidas no TJDFT, STF e TSE. A mobilização jurídica, porém, expõe riscos políticos: a crise interna pode prejudicar a credibilidade do Cidadania em negociações por federações e alianças, além de gerar custo eleitoral e institucional num momento em que a legenda busca reorganização.

Os próximos passos anunciados incluem registro de boletim de ocorrência para coibir a apresentação pública de terceiros como presidentes, além das representações no MPF e no conselho de ética. A nova direção diz pretender reconstruir a governança partidária, mas terá de transformar as decisões judiciais e investigações em medidas claras de transparência para recuperar confiança interna e externa.

Vamos reconstruir a legenda com quem de fato quer representá‑la diante da sociedade.