A 20 dias do primeiro turno, partidos da esquerda e da direita levaram apoiadores às ruas, mas o balanço aponta mobilizações de alcance desigual. O PT anunciou 1.120 atividades, realizadas em pelo menos 130 municípios — um número relevante em termos absolutos, mas restrito diante dos mais de 5,5 mil municípios do país, o que relativiza a narrativa de ocupação massiva do território eleitoral.
Em Brasília, cerca de mil pessoas percorreram o Eixão do Lazer em um ato que contou com a presença da primeira-dama e lideranças locais. Em São Paulo, foram registradas ações em 16 municípios, com participação de dirigentes e candidatos do campo progressista em panfletagens e bandeiraços. No Rio, artistas e militantes protagonizaram um cortejo na orla de Copacabana. A mobilização petista combinou elementos de campanha e defesa da democracia, mas esbarrou na limitada capilaridade que os números evidenciam.
Do outro lado do espectro, atos organizados por bolsonaristas e por alas do PL tiveram caráter mais pontual. Em Macapá, o deputado Nikolas Ferreira liderou protesto centrado na pressão sobre o senador Davi Alcolumbre para que avance pedidos de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, a agenda do senador Flávio Bolsonaro no interior de São Paulo foi cancelada oficialmente 'por causa da chuva' e ele não compareceu ao protesto do PL no Amapá, fatos que expõem fragilidades logísticas e a dificuldade de transformar retórica de confronto em mobilização ampla.
O quadro sinaliza dois efeitos políticos imediatos: para o PT, a capacidade de convocatória existe, com mobilização de bases e presença em capitais, mas os números reforçam o desafio de converter atos em penetração nacional e votos nos locais menos ativados; para a oposição, o caráter esparso dos protestos e cancelamentos de agendas reforçam a necessidade de reorganização tática se a meta for transformar insatisfação institucional com o STF em resposta eleitoral. Em ambos os campos, resta ver se as mobilizações terão impacto duradouro na narrativa de campanha ou ficarão restritas a momentos de rua.