Morreu na noite de sábado, em Florianópolis, o dirigente Manoel Dias, um dos fundadores do PDT e ex-ministro do Trabalho e Emprego nos governos de Dilma Rousseff. Tinha 88 anos. A causa oficial da morte não foi divulgada; ele estava hospitalizado após agravamento do quadro de saúde e havia sofrido um AVC em 2025.

Natural de Içara, Manoel Dias começou na política em 1962 como vereador pelo PTB. Após o golpe de 1964 teve o mandato cassado e chegou a ser preso. Na transição política dos anos 1960 participou da fundação do MDB em Santa Catarina e foi deputado estadual na legislatura de 1967 a 1971. Com a edição do AI‑5, teve os direitos políticos suspensos por dez anos. Formou‑se em Direito pela UFSC em 1970 e, já no período da anistia, mudou‑se para Florianópolis para reorganizar o trabalhismo local.

No início dos anos 1980 atuou na fundação do PDT ao lado de Leonel Brizola, presidiu o partido em Santa Catarina e disputou diversos pleitos sem sucesso. Na década de 1990 integrou a gestão de Brizola no Rio como diretor do Banerj. Em março de 2013 foi nomeado ministro do Trabalho e permaneceu na pasta até 2 de outubro de 2015.

O legado de Manoel Dias carrega tanto a trajetória de resistência política quanto episódios que comprometeram sua gestão. Em 2013 a Polícia Federal deflagrou a Operação Esopo, que investigou desvios de recursos por meio de convênios com ONGs; parte das apurações mirou repasses considerados sem contrapartida. Investigações subsequentes também levantaram suspeitas sobre contratos com a ADRVale e possíveis colocações de militantes em empregos considerados 'fantasmas'. O ex‑ministro negou envolvimento e chorou ao rebater as acusações em depoimento na Câmara. À época, o ministério classificou as suspeitas como infundadas e afirmou que convênios tinham aval de instâncias de controle.

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, lamentou a morte nas redes sociais e destacou a importância de Manoel Dias na formação do partido. Dias deixa esposa, dois filhos, noras e netos. Até a publicação desta reportagem não havia informação oficial sobre velório e enterro.