Durante o debate promovido pela TV Bandeirantes na noite de 9 de agosto, o candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) optou por não citar o nome do ex‑presidente Jair Bolsonaro. Em vez disso, referiu‑se a ele como 'Genocida Lá Ele' ao criticar as políticas de educação daquele período, afirmando que 'os professores eram tratados como lixos' e 'jogados às traças'.
A expressão 'Lá ele', usada como zombaria ligada a duplo sentido sobre orientação sexual, reforçou o caráter provocativo do ataque. Mansur, presidente estadual do PSOL e estudante de direito, disputa o governo pela primeira vez, com Meire Reis na vice‑chapa; já havia concorrido à vice‑governadoria em 2014 e 2022. A escolha do termo entrou rapidamente na cobertura dos debates e nas redes sociais.
Politicamente, a atitude cumpre uma função clara: consolidar a identificação com a base mais crítica ao bolsonarismo e marcar distância das gestões federais citadas. Ao mesmo tempo, a estratégia tem riscos: transformar um debate estadual em palanque de confrontos nacionais pode dispersar a atenção sobre propostas concretas para a Bahia e dificultar a atração de eleitores moderados que buscam foco em gestão e soluções locais.
O episódio expõe o dilema de campanhas que nascem de movimentos de oposição nacional — ganhar visibilidade com tom contundente ou traduzir indignação em programa estadual. Mansur e sua equipe terão que demonstrar, nos próximos passos da campanha, capacidade de articular críticas com propostas práticas para educação e gestão pública, se quiserem transformar repercussão em viabilidade eleitoral.